El Niño 2026 pode aumentar risco de calor extremo e exige atenção em Mato Grosso do Sul
Estudo internacional projeta 451 mil mortes adicionais relacionadas ao calor no mundo até fevereiro de 2027; em MS, previsões indicam possibilidade de temperaturas acima da média durante a primavera e o início do verão
Divulgação Uma nova projeção científica sobre os efeitos do El Niño 2026 colocou novamente o calor extremo no centro das discussões sobre clima e saúde. Um estudo do Climate Impact Lab, ligado à Universidade de Chicago, estima que o fenômeno poderá estar associado a cerca de 451 mil mortes adicionais provocadas por dias de calor extremo em diferentes regiões do mundo entre junho de 2026 e fevereiro de 2027. O número chama atenção, mas precisa ser entendido dentro do contexto da pesquisa. Trata-se de uma projeção baseada em modelos científicos, e não de uma previsão de que 451 mil pessoas necessariamente morrerão. O cálculo procura estimar o excesso de mortalidade relacionado ao calor em comparação com o que seria esperado em condições consideradas normais.
O Brasil aparece entre os países que concentram parte importante desse impacto. Segundo o estudo, a estimativa para o país é de aproximadamente 13,3 mil mortes adicionais relacionadas ao calor durante o período analisado. A pesquisa considera que os países em desenvolvimento tendem a enfrentar uma parcela significativa dos impactos, principalmente por fatores como maior exposição da população ao calor e menor capacidade de adaptação em algumas regiões.
Para Mato Grosso do Sul, o cenário merece acompanhamento porque o fenômeno deve ganhar força justamente durante a primavera. O terceiro boletim do Painel El Niño 2026-2027, elaborado por órgãos como INPE, INMET, CEMADEN, ANA, SGB, Defesa Civil e CENSIPAM, aponta mais de 90% de probabilidade de um El Niño muito forte entre setembro e novembro. Os modelos também indicam que o fenômeno deverá permanecer ativo pelo menos até o início de 2027.
No caso específico de Mato Grosso do Sul, previsões climáticas do CEMTEC-MS indicam que o fortalecimento do El Niño pode favorecer episódios de ondas de calor e temperaturas acima da média climatológica, especialmente durante a primavera e o começo do verão. Isso, porém, não significa que todos os dias dos próximos meses serão extremamente quentes ou que uma onda de calor atingirá necessariamente Chapadão do Sul. O comportamento do clima pode variar entre municípios e também de uma semana para outra, dependendo da atuação de outros sistemas atmosféricos.
Para os moradores de Chapadão do Sul e da região norte de Mato Grosso do Sul, o cenário exige principalmente atenção às previsões de curto prazo. A primavera costuma trazer uma rápida elevação das temperaturas e mudanças no padrão de umidade. Em períodos de calor mais intenso, a combinação entre temperatura elevada, exposição prolongada ao sol e baixa umidade pode aumentar o desgaste do organismo.
Ao mesmo tempo, a previsão climática para Mato Grosso do Sul não deve ser interpretada apenas pelo risco de calor. O boletim nacional do El Niño aponta possibilidade de chuvas acima da média em áreas de Mato Grosso do Sul durante o trimestre de setembro, outubro e novembro, enquanto as temperaturas tendem a ficar acima da média em grande parte do Brasil. Isso mostra por que previsões sazonais não podem ser confundidas com uma previsão do tempo específica para uma cidade.
O calor extremo preocupa principalmente pelos efeitos que pode provocar na saúde. Quando a temperatura do ambiente sobe muito, o organismo precisa trabalhar mais para controlar sua temperatura corporal. A perda de líquidos aumenta e, em situações de exposição prolongada, podem surgir sintomas como fraqueza, tontura, dor de cabeça, náusea e desidratação. Idosos, crianças pequenas, gestantes e pessoas com doenças crônicas merecem atenção especial durante períodos de calor intenso. Trabalhadores que passam muitas horas expostos ao sol também estão entre os grupos que precisam adotar cuidados adicionais.
A preocupação dos pesquisadores não está apenas no desconforto provocado pelas temperaturas elevadas. O excesso de calor pode agravar problemas cardiovasculares e respiratórios e aumentar o risco de eventos graves em pessoas mais vulneráveis. Por isso, os pesquisadores do Climate Impact Lab defendem que os dados sejam utilizados antes dos períodos críticos, com medidas como sistemas de alerta, espaços de resfriamento, acesso à água e proteção para trabalhadores expostos ao calor.
Outro ponto de atenção para Mato Grosso do Sul é o risco de incêndios. Temperaturas acima da média podem favorecer ondas de calor e aumentar o risco de incêndios em determinadas regiões, mas não é correto atribuir ao El Niño, isoladamente, uma eventual temporada de queimadas. A ocorrência de fogo depende também da quantidade de chuva, da umidade do solo, dos ventos, das condições da vegetação e de outros fatores meteorológicos.
A pesquisa internacional traz um número expressivo e ajuda a dimensionar como o calor extremo pode afetar a saúde pública. Mas transformar uma projeção global em uma previsão de mortes para Chapadão do Sul seria incorreto. O que os dados mostram é que o período merece acompanhamento e que medidas preventivas podem reduzir riscos quando as temperaturas alcançarem níveis elevados.
Para a população, cuidados simples continuam sendo importantes nos dias de calor intenso. Beber água regularmente, evitar exposição prolongada ao sol nos horários mais quentes, procurar ambientes ventilados ou frescos e redobrar a atenção com crianças, idosos e pessoas mais vulneráveis são algumas das medidas recomendadas. Também é importante acompanhar os avisos meteorológicos e as orientações dos órgãos oficiais, principalmente quando houver previsão de temperaturas muito elevadas, baixa umidade, tempestades ou risco de incêndios.
O El Niño 2026 continuará sendo monitorado pelos órgãos de meteorologia nos próximos meses, e as previsões serão atualizadas conforme novas informações forem incorporadas aos modelos climáticos. Para Mato Grosso do Sul, o cenário reforça a importância de preparação e informação confiável. A possibilidade de uma primavera e um início de verão com temperaturas acima da média exige atenção, mas não motivo para pânico. Acompanhar os alertas, proteger os grupos mais vulneráveis e adotar medidas de prevenção nos períodos de calor intenso são as formas mais seguras de enfrentar os possíveis efeitos do fenômeno.


COMENTÁRIOS