Heitor Freire volta à presidência da Santa Casa de Campo Grande em meio à crise
Aos 86 anos, dirigente reassume o comando da instituição após mudanças na administração e afirma que a continuidade do atendimento à população será prioridade
Divulgação A Santa Casa de Campo Grande tem novamente Heitor Rodrigues Freire na presidência. Aos 86 anos, ele retorna ao comando da instituição em um momento de forte turbulência administrativa, após uma sequência de mudanças na direção ocorrida na esteira da Operação Antidotum, deflagrada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). A nova administração terá como uma das principais missões preservar o atendimento aos pacientes e reorganizar a estrutura interna do hospital.
Esta não é a primeira vez que Freire assume a presidência em uma situação de emergência. Em setembro de 2020, ele deixou a vice-presidência para comandar a Santa Casa depois da renúncia do então presidente, em plena pandemia de Covid-19. Naquele período, a instituição enfrentava os desafios provocados pela crise sanitária e pela necessidade de manter o atendimento hospitalar.
Agora, seis anos depois, o dirigente volta ao cargo diante de um cenário diferente, mas novamente marcado por dificuldades administrativas.
A mudança ocorre após a Operação Antidotum, investigação conduzida pelo Gecoc e pelo Gaeco que apura suspeitas de fraudes e desvios envolvendo contratos da Santa Casa de Campo Grande e da operadora Santa Casa Saúde.
Segundo o Ministério Público, os prejuízos identificados até o momento ultrapassam R$ 4,9 milhões. Um dos contratos investigados está relacionado à digitalização de prontuários. Conforme a investigação, o acordo previa pagamentos anuais de R$ 1,8 milhão e teria provocado um desvio estimado em aproximadamente R$ 1,4 milhão apenas no primeiro ano. Outros contratos também são analisados. O MPMS informou que o valor total do eventual prejuízo ainda está sendo apurado.
A operação resultou em seis prisões preventivas e no cumprimento de 36 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Goiânia.
A investigação provocou mudanças na estrutura de comando da instituição. Após a saída da então presidente Alir Terra Lima, o vice-presidente Heitor Miguel Scheibeler chegou a assumir a condução da Santa Casa, mas posteriormente também deixou a função.
Foi nesse contexto que Heitor Rodrigues Freire voltou a ser escolhido para comandar a instituição.
Retorno ao comando ocorre após trajetória dentro da Santa Casa
A relação de Freire com a Santa Casa é antiga. Ele já ocupou diferentes funções administrativas e integrou o Conselho de Administração da Associação Beneficente de Campo Grande, entidade responsável pela gestão do hospital.
Em 2025, Freire voltou a integrar o Conselho de Administração após a eleição da chapa liderada por Alir Terra Lima para um novo período de gestão.
Sua primeira passagem pela presidência ocorreu em setembro de 2020, quando assumiu a função após a renúncia do então presidente. Naquele momento, o hospital estava no centro das ações de enfrentamento à pandemia e precisava manter sua estrutura funcionando diante do aumento da demanda por atendimento.
Freire permaneceu no comando até 2022. Em 2023, Alir Terra Lima assumiu a presidência e passou a ser a primeira mulher a ocupar o cargo na história da instituição.
Atendimento aos pacientes está entre os principais desafios
Ao anunciar seu retorno, Heitor Freire afirmou que decidiu aceitar novamente a responsabilidade diante do momento enfrentado pela Santa Casa.
Em uma manifestação divulgada nesta quarta-feira (23), ele também destacou a importância da fé e da família em sua trajetória pessoal e afirmou que encara a nova missão como mais um desafio que precisa ser enfrentado.
A administração que assume agora terá pela frente uma série de questões. Entre elas estão a reorganização financeira, a revisão de contratos, o fortalecimento dos mecanismos de controle e transparência e a manutenção dos serviços oferecidos pelo hospital.
O novo presidente também passa a trabalhar ao lado do novo superintendente executivo, Luiz Alberto Hiroki Kanamura. A nova gestão informou que pretende revisar as contas e os contratos da instituição e ampliar a transparência administrativa.
Santa Casa também é referência para pacientes do interior
A situação da Santa Casa de Campo Grande ultrapassa os limites da Capital. O hospital recebe pacientes encaminhados de diversos municípios de Mato Grosso do Sul, principalmente em situações que exigem atendimento especializado e procedimentos de maior complexidade.
Para moradores de Chapadão do Sul e de outras cidades da região, a estrutura hospitalar da Capital também pode representar uma importante referência quando determinados serviços não estão disponíveis no município de origem.
Por isso, a estabilidade administrativa da Santa Casa interessa não apenas aos moradores de Campo Grande, mas também aos pacientes do interior que dependem dos serviços oferecidos pela instituição.
Investigação continua
A Operação Antidotum ainda está em andamento. O Ministério Público informou que as investigações continuam e que novos elementos podem alterar o cálculo dos prejuízos inicialmente identificados.
As pessoas investigadas têm direito à defesa e à presunção de inocência. No caso de Alir Terra Lima, a defesa afirmou que ela nega as irregularidades apontadas na investigação.
Com o retorno de Heitor Rodrigues Freire, a Santa Casa inicia uma nova fase em meio a um cenário que exige reorganização administrativa e respostas às questões levantadas pelos órgãos de investigação.
Aos 86 anos, Freire volta ao comando da instituição que já presidiu durante um dos períodos mais difíceis da saúde brasileira. Desta vez, assume a missão de ajudar a restabelecer a estabilidade administrativa da Santa Casa e garantir que o atendimento aos pacientes continue sendo o centro das decisões.


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