Atropelamentos de animais preocupam em MS e entram no debate eleitoral
Rose Modesto assinou carta-compromisso que propõe passagens de fauna, cercamento e sinalização para reduzir colisões nas rodovias
Reprodução Os atropelamentos de animais nas rodovias de Mato Grosso do Sul representam um problema que envolve tanto a preservação da fauna quanto a segurança de motoristas e passageiros. O tema ganhou espaço no debate eleitoral após a candidata a deputada federal Rose Modesto (União Brasil) assinar, no dia 21 de setembro, uma carta-compromisso com propostas para reduzir colisões entre veículos e animais silvestres.
O documento foi elaborado pelo Observatório Rodovias Seguras Para Todos, formado por organizações que atuam na conservação da biodiversidade e na busca por estradas mais seguras. A proposta é incluir medidas de prevenção aos atropelamentos no planejamento de infraestrutura e transportes.
Um dos exemplos mais expressivos está na BR-262. Entre maio de 2023 e abril de 2024, o Instituto de Conservação de Animais Silvestres (ICAS) registrou 2.300 animais atropelados em um trecho de aproximadamente 350 quilômetros entre Campo Grande e a região da Ponte do Rio Paraguai.
O levantamento mostra que o problema não é pontual. Em monitoramentos realizados em rodovias de Mato Grosso do Sul, o ICAS já identificou milhares de animais mortos, incluindo espécies de grande porte. Além da perda ambiental, a presença desses animais na pista pode provocar colisões capazes de causar danos aos veículos e colocar vidas humanas em risco.
Dados apresentados pela Rede Brasileira de Especialistas em Ecologia de Transportes (REET), com base em registros da Polícia Rodoviária Federal entre 2019 e 2025, apontam 16.440 acidentes envolvendo animais nas rodovias federais brasileiras. Segundo o levantamento, essas ocorrências deixaram 10.521 pessoas feridas e 1.315 mortes.
Em Mato Grosso do Sul, a situação também chama atenção no caso das antas. Dados da Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira (INCAB-IPÊ) indicam uma média de aproximadamente 100 antas mortas por ano em rodovias do estado. O levantamento da organização também registra 51 mortes de pessoas em acidentes envolvendo a espécie entre 2013 e 2026.
A carta defendida pelo Observatório propõe uma combinação de medidas para enfrentar o problema. Entre elas estão o mapeamento dos pontos com maior incidência de atropelamentos, a implantação de passagens de fauna subterrâneas ou aéreas, o cercamento das margens das rodovias para direcionar os animais, além de sinalização específica e mecanismos de redução de velocidade.
A iniciativa reúne seis organizações da sociedade civil: Instituto de Conservação de Animais Silvestres (ICAS), Instituto Homem Pantaneiro (IHP), Instituto Líbio, Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira (INCAB-IPÊ), Onçafari e SOS Pantanal.
A preocupação com os atropelamentos também está relacionada ao tipo de fauna encontrada em Mato Grosso do Sul. Animais como antas, tamanduás, capivaras e felinos de grande porte podem provocar colisões de maior impacto quando entram repentinamente na pista, principalmente em trechos próximos a áreas de vegetação e corredores utilizados pela fauna.
Ao assinar o documento, Rose Modesto afirmou que a questão precisa ser tratada de forma conjunta, considerando a proteção dos animais e a segurança das pessoas que utilizam as rodovias.
“A assinatura desta Carta-Compromisso reforça a nossa responsabilidade com a preservação do meio ambiente e com a vida das pessoas que trafegam pelas nossas estradas”, declarou a candidata.
Rose também defendeu investimentos em passagens de fauna e sinalização e afirmou que a expansão da infraestrutura rodoviária deve considerar medidas capazes de reduzir acidentes e preservar a biodiversidade.
A assinatura da carta ocorreu durante o período eleitoral e representa um compromisso público assumido pela candidata. A adesão ao documento, no entanto, não significa a execução imediata das medidas propostas, que dependeriam posteriormente de planejamento, recursos e atuação dos órgãos responsáveis pelas rodovias e pela infraestrutura de transportes.


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