Paraguai e Bolívia aderem a ação contra PCC e Comando Vermelho e ampliam pressão sobre fronteiras de MS
Aliança liderada pelos Estados Unidos reúne 15 países e prevê medidas contra organizações criminosas; iniciativa coloca as fronteiras de Mato Grosso do Sul no centro da atenção regional
Ilustrativa | IA Paraguai e Bolívia aderiram a uma iniciativa internacional liderada pelos Estados Unidos para ampliar a cooperação no combate a organizações criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). O anúncio foi feito nesta terça-feira (22) e envolve 15 países do continente, em uma articulação que ganha importância para Mato Grosso do Sul por envolver diretamente os dois países que fazem fronteira com o estado.
A iniciativa, denominada Escudo das Américas, reúne Estados Unidos, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago.
O documento divulgado pelos governos prevê uma série de medidas contra organizações classificadas pelas autoridades participantes como redes criminosas ligadas ao narcotráfico. Entre as ações estão o bloqueio de recursos financeiros, restrições de entrada e concessão de vistos e medidas contra pessoas que forneçam apoio material ou logístico aos grupos.
A aplicação das medidas, porém, dependerá da legislação de cada país. A assinatura do documento representa uma articulação política e de segurança entre os governos, mas não significa que todas as sanções previstas passem a valer automaticamente em cada território.
Para Mato Grosso do Sul, a participação do Paraguai e da Bolívia merece atenção especial. O estado possui uma extensa faixa de fronteira e mantém ligação direta com áreas dos dois países que fazem parte de importantes rotas internacionais de circulação de drogas e outros produtos ilícitos.
Na região sul, a fronteira entre Ponta Porã e Pedro Juan Caballero, no Paraguai, forma uma área urbana integrada, onde o trânsito de pessoas e veículos ocorre diariamente entre os dois países. A proximidade também faz com que ações realizadas pelas autoridades paraguaias possam ter reflexos imediatos na segurança de municípios sul-mato-grossenses.
Na outra extremidade do estado, Corumbá mantém ligação terrestre com a Bolívia e está inserida em uma região estratégica para o controle das rotas internacionais de entorpecentes. A cidade é um dos principais pontos de passagem entre o território boliviano e o Brasil.
A atuação do PCC e do Comando Vermelho na região de fronteira também vem sendo acompanhada por autoridades brasileiras e dos países vizinhos. A Bolívia, inclusive, passou a tratar com maior atenção a presença de organizações criminosas brasileiras em seu território, diante de disputas relacionadas às rotas utilizadas pelo tráfico internacional.
A cooperação entre os países não é uma novidade. Forças de segurança brasileiras já realizam operações conjuntas e ações de inteligência com autoridades paraguaias e bolivianas para combater o tráfico de drogas, armas e outros crimes transfronteiriços.
A nova iniciativa busca ampliar esse tipo de articulação para além de operações isoladas. A proposta apresentada pelos países prevê também o fortalecimento do intercâmbio de informações e mecanismos de cooperação por meio do sistema interamericano.
Outro ponto previsto é o acionamento da Organização dos Estados Americanos (OEA). Os países pretendem utilizar os mecanismos previstos no sistema interamericano para ampliar a coordenação entre os governos no enfrentamento ao narcotráfico e às organizações criminosas consideradas transnacionais.
O Brasil, apesar de fazer fronteira com Paraguai e Bolívia e de ser diretamente afetado pelas rotas que atravessam esses territórios, não aparece entre os 15 países que assinaram a declaração anunciada nesta terça-feira.
A presença dos dois países vizinhos na iniciativa coloca Mato Grosso do Sul diante de um cenário que merece acompanhamento. Qualquer mudança na fiscalização, no intercâmbio de informações ou nas ações de segurança realizadas no Paraguai e na Bolívia pode ter reflexos sobre a dinâmica da fronteira brasileira.
Para as cidades sul-mato-grossenses localizadas na faixa de fronteira, o principal ponto a observar será como a nova articulação internacional será transformada em ações concretas. O anúncio amplia a cooperação entre os governos, mas os resultados dependerão da implementação das medidas dentro das regras de cada país.


COMENTÁRIOS