Mato Grosso do Sul movimenta R$ 47,8 bilhões e Centro-Oeste retoma liderança agrícola em 2025
Estado ficou entre os dez maiores valores de produção agrícola do Brasil, enquanto a região alcançou R$ 288 bilhões e voltou a superar o Sudeste
Ilustrativa | IA Mato Grosso do Sul fechou 2025 com R$ 47,8 bilhões em valor de produção agrícola, consolidando sua posição entre os principais estados produtores do Brasil. O resultado colocou MS na oitava posição nacional e ajudou o Centro-Oeste a retomar a liderança entre as regiões agrícolas do país, com R$ 288 bilhões movimentados no ano, segundo dados da Produção Agrícola Municipal (PAM), divulgados pelo IBGE nesta quinta-feira (17).
Para Mato Grosso do Sul, o resultado reforça o peso do agronegócio na economia estadual. Em diferentes regiões do Estado, municípios como Chapadão do Sul, Costa Rica, Maracaju, Dourados e Sidrolândia fazem parte de uma extensa área produtiva que abastece o mercado interno e participa das exportações brasileiras.
O desempenho do Centro-Oeste foi impulsionado principalmente pelas grandes lavouras de soja, milho e algodão. A região apresentou crescimento de 31,8% no valor da produção em relação a 2024 e voltou a superar o Sudeste, que registrou R$ 271 bilhões.
A diferença entre as duas regiões foi de aproximadamente R$ 17 bilhões. O resultado também confirma a importância crescente do Cerrado na produção agrícola brasileira.
Mato Grosso lidera entre os estados
Dentro do Centro-Oeste, Mato Grosso continua sendo o principal destaque. O Estado registrou R$ 165,6 bilhões em valor de produção, correspondendo a 17,9% de todo o resultado agrícola brasileiro.
Na sequência do ranking nacional aparecem São Paulo, com R$ 124 bilhões, Minas Gerais, com R$ 109,4 bilhões, Paraná, com R$ 87,7 bilhões, e Goiás, com R$ 72,7 bilhões.
O Rio Grande do Sul registrou R$ 71,3 bilhões, enquanto a Bahia alcançou R$ 55,5 bilhões. Mato Grosso do Sul veio logo depois, com os R$ 47,8 bilhões.
Pará e Espírito Santo completaram os dez primeiros colocados, com R$ 38,4 bilhões e R$ 33,7 bilhões, respectivamente.
Brasil supera 100 milhões de hectares
O resultado estadual e regional faz parte de um cenário de forte recuperação da agricultura brasileira em 2025.
A produção nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas chegou a 345,4 milhões de toneladas, aumento de 18,2% em relação ao ano anterior.
O valor total da produção agrícola alcançou R$ 927,2 bilhões, crescimento nominal de 18,4%.
Outro dado chama atenção: pela primeira vez, a área colhida no Brasil ultrapassou a marca de 100 milhões de hectares. Foram 100,6 milhões de hectares em 2025, crescimento de 4,4%.
A expansão ocorreu depois de um 2024 marcado por condições climáticas adversas em diferentes áreas produtoras do país, que prejudicaram importantes culturas.
Soja continua no centro da produção
A soja manteve a liderança entre os produtos agrícolas brasileiros em valor. A cultura movimentou R$ 315,2 bilhões, cerca de um terço de todo o valor registrado pela produção agrícola.
A colheita alcançou 165,2 milhões de toneladas, crescimento de 14,4% em relação a 2024.
O cenário internacional também influenciou o desempenho da cultura. Segundo o IBGE, a disputa comercial entre Estados Unidos e China aumentou a procura chinesa pela soja brasileira, contribuindo para a sustentação dos preços internos durante os últimos meses de 2025.
O milho apareceu na segunda colocação, com R$ 122,1 bilhões, seguido pela cana-de-açúcar, com R$ 108,9 bilhões.
O café também teve forte valorização e alcançou quase R$ 100 bilhões em valor de produção. Apesar de a produção física ter crescido apenas 3%, o valor aumentou 44,7%, influenciado principalmente pela valorização do preço da saca no mercado internacional.
Algodão ganha espaço no mercado internacional
Outro destaque foi o algodão. A produção brasileira apresentou crescimento de 16,4% e chegou a aproximadamente 6 milhões de toneladas.
O avanço está relacionado ao uso de tecnologia e ao aumento da eficiência produtiva, especialmente nas áreas de Cerrado.
Mato Grosso aparece novamente como protagonista nesse segmento, concentrando parte importante da produção nacional e contribuindo para o avanço da participação brasileira no comércio internacional da fibra.
Municípios também mostram mudança no mapa agrícola
O levantamento do IBGE também mostrou alterações importantes entre os municípios que lideram o valor da produção agrícola brasileira.
Sapezal, em Mato Grosso, passou a ocupar a primeira posição, com aproximadamente R$ 8,6 bilhões em valor de produção.
São Desidério, na Bahia, ficou próximo, com cerca de R$ 8,2 bilhões. Sorriso, também em Mato Grosso, apareceu na terceira colocação, com aproximadamente R$ 8,16 bilhões.
A mudança no ranking municipal está relacionada também à criação de Boa Esperança do Norte, em Mato Grosso, que passou a contabilizar parte de áreas produtivas anteriormente vinculadas a outros municípios.
O caso mostra como mudanças territoriais podem alterar a distribuição estatística da produção agrícola entre os municípios.
Centro-Oeste volta a superar o Sudeste
O avanço de Mato Grosso do Sul e dos demais estados produtores ajuda a explicar a recuperação da liderança regional pelo Centro-Oeste.
Em 2025, a região somou R$ 288 bilhões, contra R$ 271 bilhões do Sudeste. O Sul apareceu em terceiro lugar, com R$ 181,1 bilhões, seguido pelo Nordeste, com R$ 113,7 bilhões, e pelo Norte, com R$ 73,4 bilhões.
O histórico também mostra como o mapa agrícola brasileiro mudou nas últimas décadas. Até 2017, o Sudeste liderava o valor da produção. Entre 2018 e 2023, o Centro-Oeste assumiu a primeira posição, perdeu novamente para o Sudeste em 2024 e recuperou a liderança em 2025.
Para Mato Grosso do Sul, inserido no coração desse movimento de expansão agrícola do Cerrado, os R$ 47,8 bilhões registrados em 2025 reforçam o papel do Estado dentro de uma das regiões mais importantes para a produção de alimentos, fibras e matérias-primas do país.
E, para municípios como Chapadão do Sul, onde o agronegócio faz parte da atividade econômica e da identidade regional, os números nacionais ajudam a dimensionar o tamanho do setor no território em que a produção acontece todos os dias.


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