Netinho morre aos 60 anos e deixa saudade em uma geração marcada pelo axé
Intérprete de “Milla”, cantor baiano conquistou o Brasil nos anos 1990 e construiu uma trajetória que permanece viva na memória de quem cresceu ao som de seus sucessos.
Reprodução | Ilustrativo O Brasil se despede de um dos artistas que ajudaram a transformar o axé em um dos ritmos mais populares do país. O cantor Netinho, conhecido nacionalmente pelo sucesso “Milla”, morreu na manhã desta terça-feira (13), aos 60 anos. A informação foi divulgada pela equipe do artista, que informou que ele enfrentava um linfoma não Hodgkin do tipo B e teve o quadro de saúde agravado nos últimos meses.
A notícia encerra uma trajetória que se confunde com a memória musical de milhões de brasileiros. Durante os anos 1990, Netinho conquistou espaço nas rádios, nos palcos e nos grandes eventos populares, tornando-se um dos nomes associados à fase de maior expansão do axé music pelo país.
Seu repertório atravessou gerações, mas foi “Milla” que se transformou em sua marca mais reconhecida. A canção ganhou força nos carnavais, nas micaretas e nas festas populares, tornando-se presença frequente em celebrações que reuniam multidões. Mesmo décadas após seu lançamento, a música continuou despertando a lembrança de uma época em que o axé fazia parte do cotidiano brasileiro.
Para quem viveu aqueles anos, ouvir Netinho significa reencontrar histórias pessoais. Uma música pode lembrar o primeiro namoro, uma viagem com amigos, uma festa inesquecível ou os momentos em família. É essa ligação afetiva que ajuda a explicar por que a notícia de sua morte ultrapassa o universo dos fãs e alcança pessoas que acompanharam sua carreira mesmo sem conhecer toda a sua história.
Da Bahia para o Brasil
Natural de Santo Antônio de Jesus, na Bahia, Ernesto de Souza Andrade Júnior iniciou sua trajetória artística em um período de crescimento da música baiana. Como vocalista da Banda Beijo, ganhou projeção e participou de uma fase importante para a popularização do axé.
Posteriormente, seguiu carreira solo e ampliou sua presença no cenário nacional. Com uma combinação de ritmo, carisma e músicas feitas para cantar junto, conquistou um público que acompanhou sua evolução artística ao longo dos anos.
O sucesso de Netinho também ajuda a contar a história de uma geração de músicos baianos que levaram os ritmos da região para diferentes partes do Brasil. Os trios elétricos e as grandes apresentações se tornaram símbolos de uma manifestação cultural que ultrapassou os limites do carnaval e ganhou espaço durante todo o ano.
Ao longo da carreira, o cantor construiu uma relação duradoura com o público. Seu nome permaneceu associado à alegria das festas populares, mas também às lembranças de uma fase da música brasileira que continua despertando nostalgia.
Tratamento contra o câncer
Netinho foi diagnosticado com linfoma não Hodgkin em 2025, depois de apresentar dores nas costas e dificuldades para caminhar. A doença exigiu acompanhamento médico e tratamento, período durante o qual o cantor compartilhou informações sobre sua recuperação com os admiradores.
Em suas publicações, demonstrava esperança diante das dificuldades e procurava manter o público informado sobre as etapas do tratamento. Nos últimos meses, porém, seu estado de saúde se agravou.
Conforme o comunicado divulgado pela equipe, o linfoma evoluiu para falência renal e disfunção múltipla de órgãos.
A despedida será realizada de maneira reservada, conforme a vontade manifestada pelo próprio artista. Segundo a equipe, o velório e a cremação ocorrerão em uma cerimônia restrita aos familiares e amigos próximos.
Canções que permanecem
A partida de Netinho deixa uma lacuna na música brasileira, mas seu repertório continuará encontrando espaço na memória do público. Artistas que marcam uma geração deixam algo que vai além dos discos e das apresentações: deixam recordações que acompanham as pessoas ao longo da vida.
“Milla” é um exemplo dessa permanência. A canção se tornou parte da história musical dos anos 1990 e continua reconhecida por diferentes gerações, mantendo vivo o vínculo entre o artista e seu público.
A morte do cantor também representa a despedida de um período em que o axé conquistou o Brasil e passou a integrar a identidade musical de grandes festas populares. Netinho esteve entre os artistas que deram voz àquela época e ajudaram a transformar suas músicas em trilha sonora de momentos inesquecíveis.
Aos 60 anos, o cantor encerra sua trajetória, mas deixa uma obra que continuará sendo lembrada e ouvida. Para muitos brasileiros, suas músicas permanecerão como uma ligação com a juventude, com os amigos de outros tempos e com histórias que a passagem dos anos não consegue apagar.
Porque algumas canções não ficam presas ao passado. Elas continuam vivas cada vez que alguém reconhece seus primeiros acordes e volta, por alguns instantes, a um tempo que deixou saudade.


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