Coronel Alírio Villasanti

SEGURANÇA E CIDADANIA

A guerra que não é da Ucrânia, nem do Irã, e atormenta a nossa fronteira


SEGURANÇA E CIDADANIA

A conta não é baixa, pois são 400 homicídios apenas neste ano, segundo dados oficiais. Uma crise que alerta o mundo inteiro sobre a guerra existente entre o PCC e o CV, travada pelo domínio de rotas do tráfico de drogas, com consequências altamente impactantes para Mato Grosso do Sul, o Brasil e também para o lado da Bolívia.

Algo que movimenta grande atenção da imprensa nacional e também da cobertura internacional da mídia, diante do aumento considerável de homicídios. Um conflito que gera crises para cidades que ficam no território desta fronteira, realçando o fenômeno da interiorização da violência, devido à fragilidade estrutural do aparato do Estado para fazer esse enfrentamento. Soma-se a isso, ainda, um dado alarmante e perceptível há longa data, já que as maiores vítimas dos homicídios são os jovens.

Em meio à polêmica e ao quadro crônico desta tragédia, Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, afirmou recentemente que o Brasil se tornou um polo das rotas globais de cocaína, atribuindo essa condição à forte atuação dessas facções criminosas. Um poder paralelo que ameaça, inclusive, segundo a maior potência global, a paz e a segurança do continente. Por isso, medidas enérgicas são cobradas, não somente pela leniência da nossa nação diante de tal realidade, mas também pela atuação ideológica da diplomacia brasileira.

E a coisa vai além do binário Lula-Bolsonaro. Um exemplo disso é a discussão da PEC da Segurança, que tramita no Senado, sendo apontada pelo Governo Federal, dentro do panorama destas eleições, como a tábua de salvação para se dar uma melhor perspectiva ao cidadão. Entretanto, é um “tiro na água”, vista a percepção geral de inércia e incompetência como marcas da atual gestão na Segurança Pública.

Um quadro que insinua, infelizmente, robustas evidências do envolvimento de autoridades relevantes da República, aliadas a falcatruas com o “suposto gângster”, chamado Daniel Vorcaro. Enquanto isso, assistimos estarrecidos às firulas jurídicas protelatórias para que a verdade não seja desnudada.

Nesse contexto, há uma recorrente cobrança da sociedade em prol de que as Forças Armadas atuem mais fortemente contra os crimes transnacionais, pois possuem amparo legal para tais ações em áreas fronteiriças, uma vez que a situação poderá atingir a soberania nacional.

Diante desse contexto, a busca do bem comum, citada na Constituição Federal, tem que suplantar eventuais entraves legais e nortear as ações da União, em consonância com as unidades federativas e os municípios. A Escola Superior de Guerra, por exemplo, enfatiza que um dos objetivos nacionais permanentes é a paz social, na qual se busca uma convivência harmoniosa, pacífica e de ordem entre os cidadãos.

Finalizo afirmando que é imprescindível que a União tenha um papel mais eficiente na segurança pública, função que nunca exerceu na plenitude.

Os brasileiros pedem socorro, clamam e anseiam por mais tranquilidade.



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