Segundo relato de morte em instituto de peste na Rússia leva OMS a pedir esclarecimentos
Novo episódio aumenta a atenção sobre o caso na Sibéria, mas causa da morte ainda não foi confirmada e autoridades russas questionam informações divulgadas
Reprodução | Ilustrativo O caso envolvendo funcionários de um instituto especializado no estudo da peste na Sibéria ganhou um novo desdobramento nesta quarta-feira (7). Após o relato de uma segunda morte entre profissionais ligados à instituição, a Organização Mundial da Saúde (OMS) entrou em contato com as autoridades russas para obter esclarecimentos sobre o que está acontecendo.
A preocupação internacional não significa, neste momento, que exista uma confirmação de um novo surto de peste pneumônica. A principal questão ainda é determinar o que provocou a morte e se existe, de fato, alguma relação com a doença.
O novo episódio ocorre poucos dias depois da morte de uma funcionária de 28 anos, identificada como Darya Shipilova, que trabalhava no Instituto de Pesquisa Antipeste da Sibéria e do Extremo Oriente, em Irkutsk. O caso já havia chamado atenção por envolver uma profissional de uma instituição dedicada justamente ao estudo e controle da peste.
Após a morte, pessoas que tiveram contato com a funcionária foram colocadas em quarentena. As autoridades russas, no entanto, afirmaram que não haviam identificado casos de peste entre os contatos.
Agora, com o surgimento do relato de uma segunda morte, a OMS busca informações adicionais para esclarecer as circunstâncias dos episódios e saber qual agente teria provocado as mortes. Até o momento, não há confirmação oficial de que a segunda vítima tenha morrido em decorrência da peste pneumônica.
O que se sabe até agora
A peste é uma doença infecciosa causada pela bactéria Yersinia pestis e possui diferentes formas clínicas. A forma pneumônica é considerada a mais preocupante do ponto de vista da transmissão entre pessoas porque atinge os pulmões e pode ser disseminada por secreções respiratórias.
No caso acompanhado na Rússia, entretanto, ainda é cedo para afirmar que a doença esteja por trás das mortes relatadas. A ausência de confirmação laboratorial ou oficial sobre a causa dos óbitos é justamente um dos pontos que a OMS pretende esclarecer.
A situação também ganhou uma disputa de versões. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou nesta quarta-feira que grande parte das informações divulgadas pela imprensa sobre o caso seria falsa.
Peskov também declarou não ter informações sobre um suposto pedido dos Estados Unidos para que a Rússia apresentasse mais transparência sobre a morte de uma profissional de laboratório.
Com versões diferentes circulando e sem confirmação de que a segunda morte tenha sido provocada pela peste, organismos internacionais acompanham o caso com cautela.
Por enquanto, o que existe é o relato de uma nova morte em meio às investigações e um pedido da OMS por informações oficiais. A confirmação da causa dos óbitos e a existência ou não de qualquer transmissão da peste entre os contatos continuam dependendo de esclarecimentos das autoridades russas.


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