Operação Descarrilho: investigação sobre morte de pai de adolescente termina com três suspeitos mortos em MS

Polícia Civil apura dois homicídios e suspeita de disputa entre integrantes do Comando Vermelho e do PCC; operação cumpriu mandados em três municípios.

Com informações Batanews
Operação Descarrilho: investigação sobre morte de pai de adolescente termina com três suspeitos mortos em MS Reprodução | Ilustrativo

Uma investigação sobre dois homicídios na região de Nova Andradina, em Mato Grosso do Sul, levou a Polícia Civil a deflagrar, na manhã de quinta-feira (15), a Operação Descarrilho. Durante o cumprimento de um mandado judicial, três pessoas investigadas morreram após um confronto com policiais. Entre elas estava Ana Vitória Nascimento Santos, de 17 anos, suspeita de participação no planejamento do assassinato do próprio pai.

Segundo a Polícia Civil, a adolescente teria ligação com o Comando Vermelho (CV), enquanto seu pai, Gilson Santana dos Santos, era apontado pelos investigadores como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC). A apuração considera a possibilidade de que a rivalidade entre os grupos criminosos esteja relacionada aos crimes investigados.

Uma das linhas da investigação aponta que a jovem teria atribuído ao pai uma suposta violência sexual para provocar uma reação de integrantes da facção rival contra ele. De acordo com a polícia, não foram encontrados elementos que confirmassem a ocorrência do abuso relatado.

Gilson foi assassinado em 29 de setembro. O outro homicídio investigado é o de Natalício Rodrigues dos Santos, morto em 5 de outubro. A Polícia Civil apura se Ana Vitória e os outros dois suspeitos mortos na operação tiveram participação nos crimes.

Três investigados morreram durante ação policial

Além da adolescente, morreram João Lucas Santos Nunes, de 23 anos, conhecido como Juquinha, e Wermerson Costa Anjos, de 28 anos, chamado de Tio Baby.

A ação começou por volta das 6h, em um imóvel localizado na Rua Batayporã, no bairro São Vicente de Paulo, onde equipes do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Garras) cumpriam um mandado judicial.

Conforme o boletim de ocorrência, Wermerson estava com uma pistola calibre 9 milímetros. Os policiais relataram que ele não obedeceu à ordem para largar a arma e a apontou na direção dos agentes, que efetuaram disparos.

Durante a continuidade das buscas, Ana Vitória e João Lucas foram encontrados em um quarto, também armados. Ainda segundo o registro policial, os dois teriam apontado as armas contra os policiais, que reagiram.

Os três foram atingidos e, conforme a ocorrência, ainda apresentavam sinais vitais quando receberam os primeiros socorros e foram encaminhados ao hospital. Eles não resistiram aos ferimentos.

A Polícia Científica foi acionada para realizar a perícia no local e auxiliar na apuração das circunstâncias do confronto.

Investigação também apura suspeitas de atuação criminosa

Os registros policiais relacionados aos dois homens apontam ocorrências anteriores. João Lucas tinha registros de prisões em flagrante por lesão corporal no contexto de violência doméstica, em 2023, e por homicídio, em 2024.

Wermerson era investigado por suspeitas relacionadas a organização criminosa, sequestro, cárcere privado e ameaça. Em uma ocorrência de agosto de 2025, ele foi apontado como suspeito de integrar o setor de disciplina do Comando Vermelho.

Segundo o registro policial, ele também teria participado de um episódio descrito como “tribunal do crime”, no qual uma pessoa teria sido mantida em cárcere sob ameaça enquanto aguardava uma decisão de integrantes da facção sobre possíveis castigos físicos. O caso estaria relacionado a uma suposta dívida de drogas.

Esses registros integram o histórico investigativo mencionado pela polícia e não devem ser confundidos com condenações definitivas pelos crimes citados.

Operação teve mandados em três cidades

A Operação Descarrilho busca esclarecer os dois homicídios e apurar a possível atuação de integrantes do Comando Vermelho na região. A ofensiva prevê o cumprimento de seis mandados de prisão e 16 mandados de busca e apreensão em Batayporã, Nova Andradina e Bataguassu.

Durante as diligências, foram apreendidas três armas de fogo: uma pistola Taurus G2C, calibre 9 milímetros, um revólver Smith & Wesson, calibre .32, e um revólver Taurus, calibre .38. Também foram recolhidas 22 munições, uma delas deflagrada.

Os investigadores apreenderam ainda uma motocicleta que pode ter sido utilizada no assassinato de Gilson Santana dos Santos. O veículo será submetido a análises para verificar sua possível relação com o crime.

Além do Garras, participaram da operação equipes da Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar), da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Fronteira (Defron) e de unidades de investigação de Nova Andradina e Bataguassu. Policiais militares e uma equipe de apoio aéreo também deram suporte à ação.

Até a divulgação das informações, a Polícia Civil não havia informado quantas prisões foram efetivamente realizadas. As investigações continuam para esclarecer as circunstâncias dos homicídios e individualizar a possível participação de cada investigado.




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