Deputados da ALEMS divergem sobre Lula e Flávio Bolsonaro em debate na Assembleia
Parlamentares discutiram economia, segurança pública, democracia, direitos trabalhistas e políticas sociais durante sessão realizada nesta quarta-feira (14).
Luciana Nassar e Wagner Guimarães Agência ALEMS A disputa pela Presidência da República entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) provocou divergências entre deputados estaduais durante sessão da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS), nesta quarta-feira (14). Os parlamentares apresentaram posições opostas sobre as candidaturas e discutiram temas como economia, segurança pública, democracia, direitos trabalhistas e políticas sociais.
O debate teve como protagonistas os deputados Pedro Kemp (PT) e Zé Teixeira (PL), com participações de Coronel David (PL), Gleice Jane (PT) e Renato Câmara (MDB). As manifestações ocorreram durante o Grande Expediente e as Explicações Pessoais.
Pedro Kemp critica candidatura de Flávio Bolsonaro
Durante seu pronunciamento, Pedro Kemp classificou o segundo turno como um momento decisivo para o país e defendeu a continuidade das políticas sociais do governo Lula e dos direitos trabalhistas.
O deputado também fez críticas à trajetória política de Flávio Bolsonaro e mencionou suspeitas e denúncias que, segundo ele, devem ser consideradas pelos eleitores na escolha do próximo presidente.
“Está em jogo a continuidade do governo que implantou no Brasil política voltada a beneficiar o trabalhador. Estão em jogo os direitos trabalhistas”, declarou Kemp.
O parlamentar também abordou questões relacionadas à democracia, à soberania nacional e à intolerância religiosa. Em sua avaliação, a radicalização política representa um dos pontos que precisam ser considerados no debate sobre o futuro do país.
Coronel David contesta argumentos de Kemp
Durante a manifestação de Kemp, Coronel David contestou as críticas dirigidas ao candidato do PL e demonstrou confiança na eleição de Flávio Bolsonaro.
“Costumo dizer que só ganha eleição com voto na urna e tudo caminha para que Flávio seja o próximo presidente”, afirmou.
A deputada Gleice Jane também participou da discussão, abordando episódios de intolerância religiosa e violência contra diferentes comunidades. Ela mencionou situações envolvendo terreiros, casas de reza indígenas e igrejas, além de questionar as restrições à liberdade de crença.
“Que momento é esse que estamos vivendo, em que pessoas deixaram de ter direito à sua liberdade religiosa?”, questionou.
Em resposta às manifestações, Kemp reiterou a defesa das políticas sociais do governo federal e rebateu críticas à gestão Lula, citando programas de acesso à educação e de assistência à população.
Zé Teixeira defende Flávio Bolsonaro e critica governo federal
Na sequência, Zé Teixeira contestou as declarações de Kemp e defendeu a candidatura de Flávio Bolsonaro. O deputado também apresentou críticas à gestão federal nas áreas de economia, infraestrutura e segurança pública.
“Como cristão, apoio ele”, declarou, ao justificar seu posicionamento favorável ao candidato do PL.
Teixeira questionou a interpretação apresentada por Kemp sobre os processos judiciais envolvendo Lula e mencionou denúncias e investigações relacionadas a governos petistas. Também criticou a carga tributária e os gastos públicos.
Na área da segurança, defendeu medidas mais rigorosas contra a criminalidade e as organizações criminosas, argumentando que a população precisa de condições adequadas para trabalhar e produzir.
“Povo brasileiro não entende que, para trabalhar e produzir, tem que ter paz de espírito”, afirmou.
Coronel David manifestou apoio ao posicionamento apresentado por Zé Teixeira durante o pronunciamento.
Segurança pública, povos indígenas e serviços públicos
Gleice Jane voltou a participar do debate durante a fala de Zé Teixeira, contrapondo argumentos sobre segurança pública e conflitos envolvendo povos indígenas. A deputada defendeu que os episódios de violência sejam analisados considerando as circunstâncias e as diferenças nas condições de proteção e responsabilização.
A parlamentar também criticou propostas de reforma administrativa e medidas que, em sua avaliação, podem ampliar a privatização e a terceirização dos serviços públicos, com possíveis impactos sobre o Sistema Único de Saúde (SUS).
Ao retomar a palavra, Zé Teixeira manteve as críticas ao governo federal e defendeu o fortalecimento da iniciativa privada.
Nas Explicações Pessoais, Pedro Kemp voltou a contestar declarações feitas durante a sessão, incluindo a atribuição dos atos de vandalismo de 8 de janeiro de 2023 ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O deputado questionou essa afirmação e criticou a apresentação de informações sem contextualização.
Kemp também citou indicadores econômicos e sociais para defender a atuação do governo Lula. Entre os pontos mencionados estavam o mercado de trabalho, a renda da população e a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil.
Renato Câmara defende discussão de problemas concretos
Durante as Explicações Pessoais, Renato Câmara afirmou que as divergências ideológicas não devem afastar a discussão dos problemas enfrentados pela população.
O deputado citou as filas na saúde e as condições das estradas como exemplos de questões que precisam receber atenção dos representantes públicos.
“Vivemos em um mundo democrático. O Brasil tem muitas coisas que não funcionam. Muitos discursos ideológicos, mas precisamos discutir coisas práticas”, declarou.
Renato Câmara também manifestou apoio a Flávio Bolsonaro e incentivou os eleitores a expressarem suas posições políticas, ressaltando a importância da participação democrática e do respeito às diferentes opiniões.
O debate na ALEMS evidenciou as divergências entre os parlamentares sobre as propostas dos candidatos e as prioridades para o país. O segundo turno das eleições presidenciais está marcado para 25 de outubro de 2026.


COMENTÁRIOS