Caos no trânsito e morte durante evento marcam noite de show do Guns N’ Roses em Campo Grande
Engarrafamento quilométrico, falhas na logística e relatos de prejuízo transformaram o acesso ao autódromo em uma prova de resistência para o público
Reprodução O que era para ser uma noite histórica para os fãs de rock em Campo Grande acabou marcado por transtornos, revolta e até tragédia. O show do Guns N’ Roses, realizado nesta quinta-feira (9), expôs falhas na organização do trânsito e dificuldades de acesso ao Autódromo Orlando Moura, deixando milhares de pessoas presas em congestionamentos que ultrapassaram 10 quilômetros.
Horas antes da apresentação, marcada para 20h30, o cenário já era de colapso. A Avenida João Arinos, principal ligação até o autódromo, virou um corredor de veículos praticamente parados. Em alguns pontos, motoristas levaram mais de uma hora para avançar poucos metros.
Sem alternativa, muitos decidiram abandonar carros e ônibus e seguir a pé. Teve gente caminhando por mais de 10 quilômetros na tentativa de não perder o início do show. “A gente saiu cedo e mesmo assim não andava. Chegou uma hora que só restou descer e ir a pé”, relatou um dos fãs que enfrentou o trajeto.
Nem todos conseguiram. Parte do público ficou pelo caminho, assistindo o tempo passar enquanto o show já acontecia. “Foram horas parados. Quando vimos, já tinha começado. Não teve o que fazer”, contou uma fã frustrada.
Ônibus fretados também ficaram presos no congestionamento, e passageiros começaram a descer no meio da rodovia para tentar ganhar tempo andando. Houve quem percorresse mais de 10 quilômetros a pé. Outros preferiram desistir.
A revolta foi geral. Nas redes sociais e ao longo do trajeto, o sentimento era de falta de planejamento diante de um evento anunciado há semanas e com público elevado. Sem rotas alternativas e com pontos críticos mal gerenciados, o trânsito entrou em colapso ainda no fim da tarde.
Um dos gargalos mais críticos foi o acesso entre a BR-163 e a BR-262, onde o fluxo de veículos se afunilou. A presença de caminhões, mesmo com restrição no trecho, agravou ainda mais a situação. Motoristas também criticaram a pouca quantidade de agentes para organizar o tráfego nos pontos mais sensíveis.
Equipes da Guarda Civil Metropolitana, Polícia Militar, Detran e Polícia Rodoviária Federal atuaram na região, mas não conseguiram evitar o travamento total das vias. O congestionamento chegou a ultrapassar 14 quilômetros e, em determinados momentos, simplesmente não avançava.
Além do desgaste, o prejuízo financeiro pesou no bolso de quem não conseguiu chegar. Com ingressos de alto valor, além de gastos com transporte e estacionamento, muitos ficaram sem assistir ao espetáculo.
Em meio ao cenário caótico, a noite ainda foi marcada por uma ocorrência grave. O ambulante Leandro Pereira Alfonso morreu após passar mal durante o evento. Ele chegou a ser atendido por equipes de emergência que estavam no local, mas não resistiu. A suspeita inicial é de mal súbito.
O episódio escancara um problema maior: a dificuldade de Campo Grande em absorver eventos de grande porte sem comprometer mobilidade e segurança. Para muitos, a lembrança que ficou não foi a do show, mas de horas de espera, caminhada forçada e a sensação de que faltou preparo para uma noite que deveria ser de celebração.




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