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Distribuidora entra na Justiça e cobra R$ 2,6 milhões do Estado por ICMS pago a mais

Ação da Ipiranga mira diferença de imposto recolhido em 2018, enquanto alta recente dos combustíveis reacende debate sobre preços na distribuição

Com informações do Correio do Estado
Distribuidora entra na Justiça e cobra R$ 2,6 milhões do Estado por ICMS pago a mais Reprodução

Em meio à escalada dos preços dos combustíveis e ao aumento da pressão sobre distribuidoras, a Ipiranga Produtos de Petróleo S.A. acionou a Justiça contra o Governo de Mato Grosso do Sul pedindo a devolução de cerca de R$ 2,6 milhões em ICMS. A empresa sustenta que houve pagamento indevido do imposto entre julho e dezembro de 2018.


O processo foi protocolado no fim de janeiro e busca o reconhecimento de que a companhia recolheu valores acima do devido. Na prática, a distribuidora quer reaver a diferença paga a mais, com base em regras tributárias que estavam em vigor na época.


A discussão gira em torno do antigo modelo de cobrança do ICMS sobre combustíveis. Naquele período, o imposto era recolhido antecipadamente, com base em um preço estimado pelo governo. Esse valor servia como referência para toda a cadeia, desde a refinaria até o consumidor final.


Segundo a empresa, o problema surgiu quando o combustível foi vendido a grandes compradores, como empresas de transporte, por preços abaixo dessa estimativa oficial. Como o imposto já havia sido calculado com base em um valor maior, a diferença teria gerado um recolhimento superior ao que seria efetivamente devido.


A tese apresentada pela distribuidora se apoia em entendimento do Supremo Tribunal Federal, que determinou que os Estados devem devolver valores quando o preço real da operação for inferior ao utilizado como base de cálculo do imposto.


Outro ponto levantado pela empresa é que, em algumas operações, a venda foi feita diretamente a grandes consumidores, sem passar pelos postos de combustíveis. Isso teria reduzido ainda mais o valor final da comercialização, ampliando a diferença entre o preço presumido e o efetivamente praticado.


O modelo de tributação questionado já não é mais utilizado. Atualmente, o ICMS sobre combustíveis segue um formato monofásico, com cobrança única e valor fixo por litro, o que elimina distorções relacionadas a variações de preço ao longo da cadeia.


O processo ainda está no início e não há decisão judicial. O governo estadual também não se manifestou até o momento. A tendência é que o caso passe por análise técnica detalhada, incluindo possível perícia contábil para validar os cálculos apresentados.


Alta nos preços amplia pressão sobre distribuidoras


A disputa judicial acontece em um momento sensível para o setor. Em Campo Grande, os preços voltaram a subir rapidamente nos postos, inclusive em combustíveis que não tiveram reajuste recente nas refinarias.


Levantamentos recentes mostram que a gasolina comum saltou de cerca de R$ 6,29 para R$ 6,49 em poucos dias. O diesel S-10 também avançou, chegando próximo de R$ 7, mesmo após medidas que reduziram parte do impacto tributário. Já o etanol, produzido em larga escala no Estado, também apresentou alta e foi encontrado acima de R$ 4,30.


A movimentação chamou a atenção de órgãos de defesa do consumidor. O Procon-MS passou a acompanhar a formação de preços e abriu diálogo com representantes do setor para entender os motivos das variações.


No cenário nacional, secretários estaduais da Fazenda também têm questionado o comportamento das distribuidoras. Há críticas de que reduções registradas nas refinarias não estariam sendo repassadas com a mesma intensidade ao consumidor final.


Com o tema ganhando força, o caso envolvendo a Ipiranga adiciona mais um elemento ao debate sobre a transparência na formação de preços e a complexidade tributária do setor de combustíveis no país.




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